Um ensaio sobre festivais de pole dance

seu surgimento e a sede infinita por liberdade artística sem censura


Por Gigi Octave


Minha trajetória no pole dance data dos primórdios da modalidade no Brasil (jurassic pole), comandada por nossa rainha Grazzy Brugner que me introduziu neste universo fantástico e sem volta, dentre outras pioneiras (Alexandra Valença, Mari silva, Cristina Longhi, Flavia Rodrigues, Vanessa Costa, Rafaela Montanaro, dentre outras) muito corajosas que ousaram, engatinharam, deram os primeiros passos cambaleantes, caminharam e abriram as portas para que todas que viessem depois pudessem voar da forma como o conhecemos hoje;

Em 2010 quando estava entediada com o circo, experiência acrobática perfeita que tive o prazer de dominar e ensinar por anos e cedendo ao meu desejo ardente de sensualizar, fui em busca do pole dance para aprimorar meu eu e me deparei com um furacão de mulher que me inspirou e abriu tantos caminhos e possibilidades a partir desse encontro mágico que dura até os dias atuais e nunca terá fim;

Porém, todavia, entretanto e contudo, TODOS os eventos sem exceção tinham um formato similar e massacrante de campeonatos (não estou criticando, somente apresentando os fatos) e desde 2011 quando fui jurada da miss pole dance glamour, única competição que ainda acho que vale a pena e que ainda hei de vencer, categoria máster, risos, e acompanhando o stress das competidoras, percebi que a diversão estava perdida, principalmente nas cenas seguintes que incluíam tabelas, planilhas, descontos e que nada valia além da perfeição;

O Pole Sport colocou a gente em uma caixinha comercial e socialmente aceitável, ignorando o fato de que o pole dance não surgiu do malakhamb, nem muito menos do mastro chinês, duas modalidades EXclusivamente masculinas, diga-se de passagem, mas sim das strippers dos Estados Unidos e Austrália que tanto admiramos e exaltamos com o atual porém primordial estilo Old School (obrigada por isso beninas), e tenho dito, cada vez que escuto pole sport, uma fada cai do céu e morre; Novamente, não me interpretem mal, isso é só minha humilde opinião e não quero doutrinar ninguém, só esclarecer o real motivo do surgimento de festivais artísticos de pole no Brasil;

Essa foi minha real motivação, inspirada pelo "acrodança" da Vertical fit e o "Elas Praticam" da Cris Longhi, apresentações de encerramento do ano das alunas, que se transformaram em importantes espetáculos no cenário nacional do pole, que além das apresentações artísticas, ofereciam a chance de fazer aulas e workshops com nossos ídolos;

Isso representou um divisor de águas pra mim e me alavancou a criar primeiramente em 2012 o Festival gaúcho de pole dance e artes e em 2019 o Oxente, meu bebe mais novo, ambos temáticos, e com 100% de liberdade artística para todos os participantes e convidados, além é claro da mistura de linguagens artísticas como o teatro, a dança e o circo, oriundos da minha formação multidisciplinar e que faziam e fazem muito sentido para mim como artista e mulher;

Me sinto plena por ter plantado essa semente tão linda dentro da nossa comunidade e tenho muito orgulho do que estamos nos tornando apesar desse grande hiato a que fomos compulsoriamente submetidos, sou grata pelo surgimento de tantos outros eventos no Brasil como o Rio Pole Fest, Lúdica, Festival, Campeonato mineiro de pole dance, Pinup pole show, Wegon bday parties, The flyingroom fuck´n good company, Poletheatre Brazil, Exótic Generation, as festas temáticas do Studio Metrópole, o surgimento das Maravilhosas Corpo de Baile, TODOS os campeonatos e eventos impecáveis realizado por nossa madrinha Grazzy, foram e são uma escola pra todos nós, e de um monte de gente dançante que só quer ser feliz, que prezam pelo artístico, o original e a criação livre e sem rótulos de arte nua e crua, pura e dura;

Muitos desses eventos apresentados por mim que tive essa oportunidade incrível de conhecer os bastidores do melhor da produção e organização, sangue no olho dos que criam algo grandioso e memorável, um legado, a ser seguido e superado;

Enfim, no fim e por fim, viajei, divaguei, me mostrei, e vou continuar pregando a palavra do pole dance por onde for, de todas as formas e vertentes, sejam livres e respeitem o próximo, e nunca se esqueçam que sonhar, planejar e realizar é viciante e me deixa umedificada!

Que venha 2021 com toda sua força, por que a gente vai brilhar (bem Leonyne)!

Outra coisa bem importante que não citei no texto acima, e essencial sobre a realização desse tipo de evento, são os PAItrocinadores, sem esses anjos, nada seria possível, mas isso é assunto pra outro texto!



Gigi Octave

Diva de carteirinha, criadora de dois festivais de pole dance (Festival Polepoa e Oxente), educadora física, circense, artista em tempo integral


Sede de vida! 

Posts recentes

Ver tudo